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Cobrança··6 min de leitura

Quanto cobrar no primeiro trabalho de fotografia

A conta que separa o hobby do negócio: como chegar a um preço que paga o seu tempo, o equipamento e ainda sobra — sem chutar e sem trabalhar de graça.


O erro mais comum de quem está começando não é cobrar caro nem cobrar barato. É cobrar sem conta — olhar para o que o vizinho cobra, tirar um pouco, e mandar o valor. Quando o trabalho acaba, sobra a sensação de que faltou dinheiro. E faltou mesmo.

Existe uma conta simples que resolve isso. Ela não te dá o preço "certo", porque preço também é posicionamento — mas te dá o piso: abaixo dele, você está pagando para trabalhar.

1. Quanto custa a sua hora

Some o que você quer ganhar por mês e divida pelas horas que consegue de fato vender. Nem todas as horas do mês são vendáveis: parte vai para edição, deslocamento, orçamento, conversa com cliente. Se você quer tirar R$ 4.000 e consegue vender 80 horas no mês, sua hora vale R$ 50.

2. Quantas horas o trabalho leva de verdade

Aqui mora o prejuízo escondido. Um ensaio de 1 hora não é 1 hora: é o contato, o combinado, o deslocamento, a 1 hora fotografando, e depois 3 a 5 horas de edição. Um ensaio "de uma hora" facilmente consome seis. Se você cobrou por uma, trabalhou cinco de graça.

3. O custo que não é o seu tempo

Câmera, lente, cartão, HD, seguro, transporte, o programa de edição. Some o que você gastou para poder fotografar e divida pela vida útil. Uma câmera de R$ 8.000 que dura 4 anos e faz 100 trabalhos por ano custa R$ 20 por trabalho — e isso é só a câmera.

4. O preço

Preço = (horas reais × valor da hora) + custos do trabalho + margem. A margem é o que te deixa comprar equipamento novo, passar um mês parado sem desespero e crescer. Sem margem, você tem um emprego mal pago disfarçado de negócio.

Um exemplo: ensaio que leva 6 horas reais, hora a R$ 50, R$ 60 de custos, margem de 30%. Piso = (6 × 50 + 60) × 1,3 = R$ 468. Se o mercado da sua cidade paga R$ 300 por esse ensaio, o problema não é o seu preço — é o tipo de cliente que você está buscando.

O que fazer com essa conta

Guarde o piso de cada tipo de trabalho. Na hora do orçamento, você responde em minutos, com segurança, e para de aceitar trabalho que dá prejuízo. Cliente sente essa segurança — quem titubeia no preço passa a impressão de que não sabe o que faz.

O trabalhoso não é a conta uma vez. É repeti-la a cada orçamento e lembrar quanto cada trabalho realmente rendeu no fim do mês. É aí que uma ferramenta de gestão passa a valer o que custa: ela guarda seus preços, monta o orçamento e mostra, no fim do mês, se a conta fechou de verdade.

Faça isso sem planilha nem caderno.

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